A voz do 'não sou bom o suficiente': converse com ela em vez de obedecer
por Yasmin · · Autoconhecimento
Você tem a constante sensação de que não é bom o suficiente? Não importa o quanto se esforce, sempre surge aquele pensamento: por que você ainda está tentando? Você não vai chegar a lugar nenhum. Se isso rola com você, vem cá que eu te explico como lidar sem deixar que te trave.
Decidi falar sobre isso porque hoje me peguei com esse pensamento. Estou trabalhando em projetos que quero muito que floresçam, e quando olhei o que quero realizar neles, a vozinha veio com força. De primeira fiquei muito abatida. Depois pensei: peraí, ela vem sempre, e eu tenho que lidar com ela, como já lidei várias vezes.
Ignorar ou obedecer: os dois caminhos que não funcionam
Geralmente a gente faz duas coisas: ou ignora a vozinha (e ela fica ali te machucando) ou dá ouvido e trava. Às vezes até tenta continuar com o medo, mas a voz parece grande demais pra deixar pra lá.
Eu percebi que essa voz fica tão grande porque a gente não conversa com ela. Ou, quando dá atenção, trata como se fosse a voz da sabedoria, que sabe de tudo: quem sou eu pra refutar?
Ignorar esse pensamento é igual ignorar uma pessoa que te disse algo muito ruim: aquilo te feriu, está ali doendo, e você só finge que não está acontecendo nada.
Converse com a voz
Sabe o que eu fiz? Questionei: por que você acha que não vai dar certo? O que quer dizer com "não sou boa o suficiente"?
E percebi que ele vinha como proteção: queria me impedir de colocar meus projetos em ação e dar tudo errado. Uma proteção pro medo de que tudo fosse em vão.
Então respondi: tudo bem se não for exatamente como eu queria. Estou feliz por fazer algo que eu gosto. Não precisa me proteger assim, eu não preciso de uma babá. Sei o que estou fazendo, estou com os pés no chão, e talvez não siga o caminho exato que imagino. E ok.
Quando fiz isso, o pensamento diminuiu tanto. Era algo que me travava: várias vezes empaquei em projetos por conta disso. Dessa vez, entendi o mecanismo.
Quando a vozinha vier, converse com ela. Geralmente ela só quer te proteger: ou é a sua própria voz tentando evitar que você faça besteira, ou é a voz de pessoas que te disseram coisas que você guardou: seus pais, por exemplo, que nunca queriam que você arriscasse, porque pra eles o certo era o caminho mais estruturado. E tudo bem, era o certo pra eles. Mas você não precisa guardar essa vozinha pra sempre: você é responsável pela sua vida e pode fazer muita coisa por você mesmo sem ouvir essa voz o tempo todo.
Bom a gente vai se tornando no processo
Não espere começar algo já sendo muito bom nisso.
Em 2020 comecei a trabalhar com tarô: conheci, adorei, e era tudo muito simples. Uma consulta custava coisa de três reais, e eu não falava sobre muita coisa. Minha mãe contou, depois que evoluí, que ficava pensando: nossa, é só isso? Com o tempo fui estudando, treinando, fazendo, e meu jogo melhorou completamente.
Outro exemplo: há uns meses comecei como pedagoga, minha primeira experiência como professora regente. No início tinha muito medo, me achava muito ruim e me cobrava demais. Via as outras professoras fazendo coisas maravilhosas, enquanto eu era completamente desorganizada: tão entretida dando aula que esquecia de passar o para casa pras crianças. Em coisa de dois meses percebi uma evolução enorme.
Então está tudo bem começar meio desorganizado, sem estar muito bom ainda. Você vai evoluindo conforme o tempo.
A perfeição nunca existe
Sempre vai ter algo pra evoluir, pra aprimorar. Imagina chegar na linha de chegada: pronto, sou a taróloga perfeita, tenho todos os conhecimentos do mundo: qual é a graça? Já li não sei quantos livros de tarô e tenho certeza de que um livro novo ainda me traria um insight: nossa, nunca pensei por esse ângulo.
Às vezes a gente acha que ser bom o suficiente é saber de tudo, e não é. Ser bom o suficiente é dar o seu melhor pra aquela situação e evoluir a cada dia. Não tem como ter constância em algo que você gosta e quer pra você, e não evoluir.
Cuidado com a comparação
Essa perfeição muitas vezes está pautada em se comparar com o outro. A grama do vizinho é sempre mais verde, né?
No início do trabalho com a cartomancia (e até hoje), me pegava comparando com outras tarólogas e achando que não era boa o suficiente. Não importava o quanto as consulentes elogiassem: vinha aquela cobrança de você tem que melhorar, olha ali a fulana, como ela faz.
E eu conheci a fulana. Conversando com ela, percebi que ela tinha as mesmas inseguranças, os mesmos medos e receios que eu. Toda aquela cobrança... pra descobrir que ela está perdida como eu, que não é perfeita como eu não sou, e ninguém é.
Quem acha que já chegou no próprio limite, que não dá pra melhorar, se torna medíocre. Porque as coisas mudam, tem infinitos meios de olhar pra uma mesma situação. Tem sempre o que evoluir.
Espero que isso te ajude de alguma forma. Se quiser olhar com calma pro que essa vozinha anda te dizendo, você pode agendar uma leitura comigo.